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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

"Vou continuar ampliando os gastos públicos em Educação, Saúde e Segurança", diz Tarso Genro

Eleito em 2010 ainda no primeiro turno, o que até então era inédito no Rio Grande do Sul, o atual governador e candidato a reeleição Tarso Genro, do Partido dos Trabalhadores (PT), é o terceiro entrevistado da série que vai ao ar no blog Gazeta Gringa desde a última segunda-feira (15).

Gaúcho de São Borja, na Fronteira Oeste, Tarso tem 67 anos e é formado em Direito e Jornalismo. Pai de duas filhas, iniciou sua trajetória em 1968, quando, ainda filiado ao PMDB, foi eleito vereador em Santa Maria, no Centro do Estado. 

Em 1988, já no PT, foi eleito vice-prefeito de Olívio Dutra em Porto Alegre para, cinco anos depois, ser eleito prefeito, cargo que ocupou até 1997 e em uma nova ocasião, de 2001 a 2002. 

Em 2004, assumiu o Ministério da Educação a convite do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No ano seguinte, foi ministro da Justiça, cargou que ocupou até o inicio de 2010, renunciando para concorrer ao Palácio Piratini. 

:: TARSO FERNANDO HERZ GENRO
Coligação: Unidade Popular pelo Rio Grande (PT/PCdoB/PTB/PR/PROS/PTC/PPL)
Nascimento: 06/03/1947
Número: 13
Vice: Abgail Pereira (PCdoB)

Leia abaixo a entrevista com Tarso Genro:

Gazeta Gringa: Por que o senhor se candidatou ao governo do Rio Grande do Sul? No seu caso, por que tentar a reeleição?
Tarso Genro: Porque os meus companheiros decidiram, por unanimidade, que o meu nome era o mais adequado para seguir o nosso projeto de transformação do Rio Grande.

Gazeta Gringa: Faça um panorama dos seus, até aqui, três anos de governo.
Tarso: Cumprimos, até o momento, 75% das nossas metas propostas na Carta aos Gaúchos na ultima eleição. A partir desse dado, é possível fazer uma avaliação positiva do nosso governo. Hoje, o Rio Grande não é mais o mesmo. Ainda temos muito o que fazer, mas já iniciamos a grande mudança que o Estado precisa. Estamos crescendo e promovendo o desenvolvimento com inclusão.

Gazeta Gringa: Qual o maior problema deixado pela gestão anterior a sua e qual o maior problema atual do Rio Grande do Sul? 
Tarso: Os problemas deixados pelas gestões anteriores foram muitos, mas um dos que nos custou muito a resolver são os projetos de obras nas estradas. Pretendíamos concluir todos os acessos municipais até o final do nosso mandato, mas isso não será possível não por falta de recursos, mas por problemas em projetos antigos, mal feitos. Concluiremos 44 acessos até o final do ano e deixaremos os demais encaminhados. 

Gazeta Gringa: O senhor aumentou o salário dos professores em 76%, em um aumento nunca dado antes por nenhum outro governador do Rio Grande do Sul, segundo você mesmo reitera. Recentemente, por decisão da Justiça, o Estado se comprometeu a pagar o adicional noturno aos professores que trabalham depois das 22h. Mesmo assim, as pedras no sapato de sua gestão são o não cumprimento da Lei do Piso e a reforma no Ensino Médio. Em uma possível reeleição, como o senhor irá tratar estas polêmicas questões? Será possível pagar o Piso? O Politécnico será extinguido ou melhor trabalhado junto com em discussão com as comunidades escolares?
Tarso: A maioria dos professores reconhece o esforço do povo gaúcho para possibilitar que, enquanto o índice de correção do Piso Nacional ainda é objeto de discussão na Justiça, nenhum professor gaúcho receba menos que o valor do Piso. Dessa forma, demos o maior aumento salarial da história do magistério gaúcho e ainda não chegamos no valor ideal. Se o Supremo decidir manter o Piso corrigido pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), só conseguiremos atingir o Piso se o governo federal nos repassar recursos do pré-sal, por exemplo. Valorizamos os professores, contratamos novos profissionais, reformamos o ensino e recuperamos a rede física das escolas. Isso está dando resultado. O Ideb divulgado recentemente é um exemplo: o Rio Grande do Sul saltou da 11ª para a 2ª colocação no ranking nacional do ensino público.

Gazeta Gringa: Em seu governo, o senhor conseguiu investir os 12% ordenados por lei na área da saúde? Sabemos que houve um crescimento das equipes do programa Saúde da Família e reformas de diversos hospitais no interior, além da construção de um novo na Restinga, Zona Sul da capital, e da inauguração da unidade de oncologia do Hospital Geral, em Caxias, para citarmos dois exemplos. Porém, um dos maiores problemas da área é o déficit de vagas no Sistema Único de Saúde (SUS). Como o senhor pretende quebrar esta barreira? 
Tarso: Continuaremos refinanciando os hospitais para possibilitar a abertura de mais leitos pelo SUS, com atenção especial para os hospitais filantrópicos, responsáveis por 70% dos atendimentos pelo SUS. Chegar aos 12% em saúde foi uma conquista histórica para o Rio Grande e manteremos e ampliaremos os investimentos em saúde em nosso próximo período.

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Gazeta Gringa: Dívida pública, tema polêmico também muito presente na discussão da situação atual e futura do Estado. Como está agora o processo da dívida? Caso seja reeleito, é possível que ela seja sanada até, pelo menos, o fim do segundo ano de sua nova gestão?
Tarso: Nós fomos o primeiro governo a conquistar o abatimento de R$ 15 bilhões da dívida pública do Estado. Conseguimos, em articulação com o governo federal, enviar um projeto ao Congresso que muda o índice de correção da dívida. Esse projeto já está aprovado na Câmara e em todas as comissões do Senado e com votação marcada no plenário para novembro, conforme garantiu a presidenta Dilma. A partir dessa mudança no indexador, vou liderar um novo movimento politico nacional para buscar a redução das parcelas da dívida.

Gazeta Gringa: A Serra Gaúcha ainda vive um grande problema de logística. A volta do trem regional e a construção do novo Aeroporto Regional em Vila Oliva, no interior de Caxias do Sul, ainda estão no papel. Além disso, estudos recentes mostram que a BR-116, no perímetro que passa pelo território caxiense, pode entrar em colapso em alguns anos. Quais são as suas propostas para combater os gargalos do transporte? Há recursos para isso? 
Tarso: Não há falta de recursos. Os problemas que tivemos são de ordem de projetos antigos, muitos com problemas graves que impossibilitaram o andamento normal das obras. Temos um plano de obras rodoviárias que será seguido. Na Serra, o Contrato de Restauração e Manutenção de Rodovias (Crema) está em andamento recuperando as rodovias. 


"Estamos crescendo e promovendo o desenvolvimento com inclusão"

Gazeta Gringa: Se reeleito, como o senhor irá se relacionar com as prefeituras? 
Tarso: Nós criamos uma secretaria específica para receber os prefeitos no Governo. O Gabinete dos Prefeitos foi responsável por comandar uma relação federativa com todos os prefeitos, independente de partido político.

Gazeta Gringa: Como o governo estadual pretende trabalhar, caso seja reeleito, para uma solução no conflito entre agricultores e indígenas, principalmente no Norte do Estado?
Tarso: O Estado já está atuando nessa questão fazendo o que está a seu alcance, já que a mediação é de responsabilidade do Ministério da Justiça. Eu fui o ministro da Justiça que mais demarcou terras indígenas. Aqui, estamos disponibilizando terras para ajudar nas negociações. 

Gazeta Gringa: Por que o senhor merece o voto dos gaúchos? Deixe suas considerações finais aos leitores do blog.
Tarso: Fizemos um governo de recuperação das funções públicas do Estado. Colocamos o Rio Grande novamente no caminho do desenvolvimento, do crescimento com inclusão e do atendimento com políticas públicas a quem mais precisa. Enquanto nossos opositores dizem que vão cortar gastos, venho defendendo o contrário: vou continuar ampliando os gastos públicos em educação, saúde e segurança. O Rio Grande não pode dar um passo atrás. 

Nota: A assessoria de Tarso, conforme havia sido combinando no momento em que a proposta de entrevista foi apresentada, há cerca de um mês, não enviou fotos do candidato respondendo aos questionamentos.

Agradecimento: Lucas Rohãn e Naira Hofmeister - Assessoria de Imprensa
Foto: Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

terça-feira, 16 de setembro de 2014

"É preciso recuperar a auto-estima dos professores", diz José Ivo Sartori

Com um discurso de campanha baseado principalmente nas suas conquistas de sua gestão à frente da Prefeitura de Caxias do Sul e defendendo investimentos em Educação e Segurança Pública para instalar no Rio Grande do Sul o que define como "Cultura de Paz", José Ivo Sartori, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), é o segundo dos cinco principais concorrentes ao governo do Estado entrevistado pela Gazeta Gringa. 

Nascido em Farroupilha e formado em Filosofia, Sartori tem 66 anos e iniciou a vida pública em 1976, quando foi eleito vereador em Caxias do Sul. Sempre filiado a mesma sigla, elegeu-se deputado estadual em 1982, sendo reeleito em 1986, 1990, 1994 e 1998 para, em 2002, se tornar deputado estadual.

Casado com a deputada estadual Maria Helena Sartori, com quem tem dois filhos, elegeu-se prefeito de Caxias do Sul em 2004, cargo que ocupou até 2013, depois de ter sido reeleito em 2008.

:: JOSÉ IVO SARTORI
Coligação: O Novo Caminho para o Rio Grande
(PMDB/PSD/PSB/PPS/PHS/PTdoB/PSL/PSDC)
Nascimento: 25/02/1948
Número: 15
Vice: José Paulo Cairoli (PSD)
Senador: Pedro Simon (PMDB) - 151 

>> Roberto Robaina: "O governo de Tarso Genro lamentavelmente manteve e sustentou o sistema da dívida pública"

Leia abaixo a entrevista com José Ivo Sartori:

Gazeta Gringa: Por que o senhor se candidatou ao governo do Rio Grande do Sul? 
José Ivo Sartori: Todo homem público aspira a ambição maior de governar o seu Estado, ter à sua frente o destino de sua gente. Ainda mais alguém que, há mais de 30 anos, tem como seu trabalho perseverar pelo bem comum da gente gaúcha. Os rio-grandenses estão prontos a apoiar a quem se disponha a enfrentar o desafio das mudanças de atitude e de comportamento sem otimismo fácil, sem espírito de seita, sem promessas irresponsáveis ou personalismos midiáticos. Por esta razão, nosso empenho é em ter uma visão clara dos problemas econômicos e sociais a enfrentar, dos caminhos políticos e institucionais a seguir, apresentando propostas claras e viáveis para governar nosso Estado.

Gazeta Gringa: O senhor cita as conquistas na Prefeitura de Caxias do Sul, como a erradicação do analfabetismo e o Orçamento Participativo. Sua gestão foi marcada por abertura de ruas, novas rotatórias e o pioneirismo da cidade em se tornar a primeira do país a contar com a coleta mecanizada de lixo. É possível fazer isso e muito mais para um contingente de mais de 11 milhões de pessoas, visto que o Rio Grande do Sul tem o empecilho da dívida com a União?
Sartori: Com certeza! Com muito orgulho, cito o sucesso de nossas duas administrações à frente de Caxias do Sul para mostrar que é possível governar com criatividade, com participação, com competência e com inovação. Caxias foi um belo exemplo de como podemos fazer à frente do governo do Estado para resolver problemas que há quatro anos aguardam solução do governo e encontram-se no mesmo estágio que se encontravam, por exemplo, na eleição passada. A questão da dívida é o maior exemplo. Mesmo o chamado "alinhamento das estrelas" entre os governos petistas em Brasília e no Rio Grande não serviu para melhorar essa situação, ao contrário. O governador Tarso Genro vai entregar o governo com um déficit de R$ 10 bilhões, sem mais chances de contrair novos empréstimos e com dívidas pelas próximas décadas a serem quitadas por seus sucessores. Ele vai entregar o Estado muito pior do que recebeu.

"É preciso recolocar o Rio Grande do Sul no desenvolvimento"

Gazeta Gringa: A sua aliança é grande, maior até mesmo que a do atual governador. O senhor pretende, a partir dela, combater e evitar a polarização entre Ana Amélia e Tarso?
Sartori: Acho que a essa altura, nossa aliança, que já é a maior deste pleito, já se mostra evidentemente como uma alternativa viável de poder, não apenas com nossa candidatura ao Piratini, como a de Pedro Simon ao Senado e a de Marina Silva ao Palácio do Planalto. A conjuntura política atual é de cansaço com o modelo petista e seu modo hegemônico de dominar mentes e corações, considerando-se dono da verdade e senhor absoluto do raio e do trovão. O povo está dando claramente sua mensagem de que deseja mudanças em Brasília e nos Estados e nossa candidatura é a melhor alternativa que se apresenta. Quanto a aliança "O Novo Caminho para o Rio Grande", é importante que se saliente que ela também apresenta um conjunto de 194 candidatos a deputado estadual e 92 candidatos a deputado federal pelos oito partidos. E isso é muito importante, pois é uma garantia também para governarmos com base parlamentar.

Gazeta Gringa: Em entrevista ao Sul 21, o senhor disse que o seu primeiro ato ao assumir o governo "será arrumar a casa". A que o senhor se refere?
Sartori: Refiro-me à recuperação das finanças do Estado. É preciso recolocar o Rio Grande do Sul no desenvolvimento e para isso a primeira coisa a se fazer é um diagnóstico de toda a realidade financeira do Estado. Entender essa questão, sempre com muito diálogo, é fundamental na implementação dos projetos e resolução dos problemas do Rio Grande do Sul, sempre com o pensamento voltado em arrumar a casa.

Gazeta Gringa: Há décadas o Centro de Professores do Rio Grande do Sul (CPERS/Sindicato) e o governo estadual vivem uma verdadeira queda de braço. Se eleito, como será a sua relação com os sindicalistas?
Sartori: Essa difícil relação do governo do Estado e as lideranças sindicais do magistério e o baixo desempenho de aprendizagem formam os dois maiores problemas da educação pública do Rio Grande do Sul. É preciso enfrentar as carências estruturais com a constituição de um sistema de planejamento detalhado e a elaboração de uma política de gestão dos recursos financeiros, operacionais humanos e pedagógicos. Os debates precisam ocorrer respeitosamente e com a cooperação de todos, como professores, servidores, alunos, pais e gestores públicos. Os professores merecem o Piso Salarial, cuja lei foi proposta e descumprida pelo atual governador, o que está gerando um passivo que chega a R$ 10 bilhões. É necessário um acordo entre Estado, magistério e sociedade para que a Lei do Piso possa ser cumprida, em melhoria das finanças públicas. Disso, depende um recrutamento qualificado, a diminuição da evasão docente e a melhoria da qualidade da educação. É preciso recuperar a auto-estima dos professores e devolver à escola um ambiente de boa convivência, onde os alunos sintam-se bem e busquem o protagonismo. 

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Gazeta Gringa: Nacionalmente, o PMDB está com Dilma, mas aqui apoia Marina Silva. Como apresentar essas divergências ao eleitor de forma transparente? 
Sartori: Não há outra forma a não ser essa: com transparência, honestidade e diálogo franco com o eleitor. O PMDB do Rio Grande do Sul sempre diferenciou-se em relação ao PMDB nacional e desta vez não foi diferente. Seria muito mais cômodo, sob todos os pontos de vista, estarmos alinhados com a direção nacional, que poderia oferecer inúmeras vantagens, mas não! Preferimos o caminho mais difícil, mas aquele que acreditarmos ser o melhor pelo Brasil e para o Rio Grande e por isso nosso apoio, desde o primeiro o momento, a Eduardo Campos e, depois, a Marina Silva.

Gazeta Gringa: Um estudo de junho mostra que o desmatamento da Mata Atlântica no Rio Grande do Sul aumentou 43% no último ano. Quais serão as suas políticas para o meio ambiente?
Sartori: Tratar a questão ambiental com isenção de preconceitos, responsabilidade e autoridade técnica em favor do desenvolvimento humano, social e econômico. Essa é uma questão complexa, pois a Mata Atlântica se estende por 17 Estados, onde vive praticamente 70% da população. Mesmo assim, precisamos desenvolver políticas de recuperação da mata, pois somente entre 2012 e 2013 foram extintos mais de 230 km² desse bioma.

"Ele vai entregar o Estado muito pior do que recebeu"

Gazeta Gringa: O senhor tem se colocado a favor de investimento em educação para dar maior sensação de segurança à população. Como seria esse processo? 
Sartori: A educação é a principal responsável pelas transformações da sociedade. É preciso educar nossos jovens para a não violência, trabalhando a área da segurança junto às escolas, a fim de que as crianças cresçam para o que eu chamo de Cultura da Paz. Em Caxias do Sul, nós criamos as comissões internas de prevenção à violência escolar e digo que o conteúdo que hoje temos é de que realmente está se criando, junto a todos os organismos de segurança do município, a Cultura de Paz para a não violência. Para ampliar a segurança é preciso melhorar o efetivo mas, acima de tudo, acho que tem que se educar a população. É necessário que se invista em um ensino de qualidade, o que inclui a valorização dos professores, gestão escolar e modernização das estruturas. Em outra frente, é imprescindível o fortalecimento de programas permanentes de educação e prevenção do uso de drogas e álcool, ações que devem ser realizadas em conjunto com as prefeituras, organizações sociais e escolas públicas, sempre com foco em adolescentes e jovens. 

Gazeta Gringa: Haverá diminuição e/ou erradicação de tributos, se eleito?
Embora a situação do Estado seja de penúria pela política fiscal e financeira de absoluta irresponsabilidade do atual governo, não aumentaremos tributos. Erradicar impostos será uma decisão posterior, consequência da nova política fiscal que implementaremos.

Gazeta Gringa: Por que o senhor merece o voto dos gaúchos? Deixe suas considerações finais aos leitores do blog.
Sartori: Quero ser muito franco e sincero. Como os gaúchos me conhecem há mais de 30 anos, desde que me tornei conhecido em minha primeira eleição como vereador de Caxias do Sul, em 1976, acho, ainda, que nossas propostas são totalmente viáveis e factíveis, partindo do pressuposto de resolução da questão de nossa impagável dívida. O governo do Estado deve atuar de maneira consequente na melhoria de nossa infraestrutura, promovendo a formação intensiva de mão de obra com os diferentes níveis de qualificação, estimulando a produção e a difusão de pesquisas científicas e novas tecnologias e apoiar de maneira continuada a atração de novas empresas que contribuam para a diversificação de nossa matriz econômica.

Agradecimento: Karine Viana - Assessoria de Imprensa do candidato
Fotos: Tribunal Superior Eleitoral (TSE)/Divulgação e O Novo Caminho para o Rio Grande/Divulgação 

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

"O governo de Tarso Genro lamentavelmente manteve e sustentou o sistema da dívida pública", diz Roberto Robaina

por Matheus Teodoro

Auditar a dívida pública do Estado com a União para se investir mais em Educação, Saúde e Transporte é apenas uma das propostas de Roberto Robaina, que também não poupa críticas ao modelo político adotado por PT, PP e PMDB. É ele, filiado ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), quem abre a série de entrevistas do blog Gazeta Gringa com os cinco principais candidatos ao governo do Rio Grande do Sul. 

Porto-alegrense, Robaina tem 49 anos e é formado em História com mestrado em Filosofia. Iniciou a vida política militando no movimento estudantil do Colégio Estadual Júlio de Castilhos, o maior do Estado. Em 1990, tornou-se diretor do Sindicato dos Bancários para, mais de dez anos depois, sair do Partido dos Trabalhadores (PT) por divergências com a sigla, e se filiar ao PSOL, participando do processo de fundação do partido lado de Luciana Genro, sua ex-mulher, com quem tem um filho, Fernando. 

O socialista nunca exerceu um cargo político. Em 2006 participou de sua primeira eleição, concorrendo ao Palácio Piratini, mas não obteve a vitória. Seis anos depois, tentou a Prefeitura de Porto Alegre, onde foi novamente derrotado. 

:: CARLOS ROBERTO DE SOUZA ROBAINA
Coligação: Frente de Esquerda (PSOL/PSTU)
Nascimento: 29/09/1967
Número: 50
Vice: Gabi Tolotti (PSOL)
Senador: Júlio Flores (PSTU) - 160

Leia abaixo a entrevista com Roberto Robaina: 

Gazeta Gringa: Por que o senhor se candidatou ao governo do Rio Grande do Sul?
Roberto Robaina: A Frente de Esquerda lançou minha candidatura ao governo do Estado porque entendemos que é preciso apresentar propostas reais para melhorar a vida das pessoas e fortalecer uma alternativa socialista para o Rio Grande do Sul. Todos os candidatos reconhecem que o Estado está inviável financeiramente, mas apresentam apenas propostas de manutenção deste quadro. As propostas de Ana Amélia, Tarso Genro e José Ivo Sartori apenas gerenciam a massa falida que se tornou o Rio Grande do Sul, em termos orçamentários. Nós apresentamos uma alternativa real ao povo: auditoria da dívida pública para que tenhamos recursos para investir em Saúde, Educação e Transporte Público.

Gazeta Gringa: Quais são, de fato, as suas propostas para administrar o Estado?
Robaina: A principal proposta da Frente de Esquerda é a auditoria da dívida do Estado com a União. Essa dívida foi contratada em 1997, quando Antônio Britto (PMDB) governava o Rio Grande do Sul e Fernando Henrique Cardoso (PSDB) governava o Brasil. Na época, o governo federal assumiu a dívida do Estado, o que representou um empréstimo de R$ 11 bilhões aos cofres gaúchos. Pelo acordo assinado, o Rio Grande do Sul se comprometeu em repassar, anualmente, 13% de sua receita líquida de impostos e transferências ao governo federal até 2028. Somente em 2014, isso significa que R$ 3,2 bilhões deixarão de ser investidos em Saúde e em Educação. Com uma auditoria, técnicos qualificados e movimentos sociais poderão verificar todas as irregularidades nestes contratos. O Equador realizou uma auditoria de sua dívida nacional e abateu 70% de seu valor devido às ilegalidades verificadas. É esse modelo que desejamos adotar.



Gazeta Gringa: Muitos afirmam que a reforma no Ensino Médio, que entrou vigor em 2012, é uma tentativa de banir as oportunidades dos filhos dos trabalhadores, que em sua maioria formam a escola pública brasileira. Se eleito, o senhor irá suspender a reforma? Como você, da oposição e de esquerda, avalia o Ensino Médio Politécnico?
Robaina: A reforma do Ensino Médio foi um desastre. Tarso Genro atropelou completamente a comunidade escolar, os professores, os alunos e os pais, empurrando uma reforma que reduz a carga horária de disciplinas como Matemática. A escola deve ser uma dimensão de emancipação do ser humano. Num governo da Frente de Esquerda, as escolas serão organismos democráticos de ensino e de produção de sentidos na vida da juventude. É preciso também parar uma reforma do ensino que piora a Educação, já que reduz, na prática, disciplinas tradicionais, como Matemática e Português, e as dilui em seminários que não têm condições objetivas para que sejam devidamente preparados. Faremos um novo projeto pedagógico, que será amplamente debatido e elaborado com a comunidade. O Estado deve criar condições para que a escola seja uma instância emancipadora na vida dos alunos.


Gazeta Gringa: O senhor é um líder do PSOL, mas não ocupou nenhum cargo público até hoje. Como pretendes ganhar a confiança do eleitorado?
Robaina: Tenho 32 anos de militança política. Fui durante 20 anos do PT e durante sete anos da direção nacional do PT. Entreguei meu cargo depois de um ano do Governo Lula. Não faço da política uma carreira, luto por ideias e mudanças reais. Por isso, fiz o oposto do que fazem os oportunistas que entram no partido que chega no poder. Eu saí do partido porque o partido chegou no poder e se revelou contrário aos interesses do povo. De qualquer forma, não peco que o eleitor confie em mim, peço que confie em si mesmo, em seu potencial mobilizador, em seus sonhos e em suas lutas. Somente a população organizada e mobilizada conseguirá conquistar a melhoria de suas vidas. Os governantes precisam estar submetidos às decisões do povo. O Estado sempre foi governado por pessoas com ampla experiência de gestão e por políticos carreiristas, que fazem da vida pública uma profissão, e está na situação em que está: capturado pelo poder econômico e por verdadeiras máfias partidárias.

"Nós queremos o novo e a mudança: nem o passado como era, nem o presente como está"



Gazeta Gringa: Como o senhor vê a polarização entre Ana Amélia e Tarso Genro? Acredita que a mídia, direta ou indiretamente, pode influenciar no resultado das Eleições e/ou na decisão da população?
Robaina: A polarização existe e é real, em termos eleitorais. Em termos políticos e programáticos, Tarso Genro e Ana Amélia possuem diferenças, mas nenhum deles ataca o problema da dívida do Estado. E ambos sustentam partidos que fracassaram. Uma sustenta um partido que foi herdeiro até da ditadura militar, e o outro sustenta um partido dominado por uma burocracia privilegiada e hoje aliada das empreiteiras e dos grandes grupos econômicos. Sobre a divida, Tarso aposta na aprovação de um projeto no Congresso Nacional, que modificaria apenas o indexador sobre o resíduo da dívida, que passa a contar apenas a partir de 2028. Além disso, o próprio governo federal, que é autor do projeto, já barrou diversas vezes sua tramitação. Agora, Dilma promete que irá aprovar a medida em novembro. Eu não acredito que isso irá ocorrer, pois, se fosse para ter sido aprovado, isso teria sido feito antes das eleições, que é quando os governos buscam conquistar votos com medidas positivas à população. Ainda assim, mesmo que o projeto seja aprovado, não irá melhorar em nada a vida das pessoas e apenas possibilitará que Tarso Genro continue contraindo mais empréstimos para financiar o Estado. Já Ana Amélia Lemos aposta em um modelo de retrocesso ao neoliberalismo clássico, com arrocho salarial, estado mínimo e déficit zero. Trata-se do mesmo projeto implementado por Yeda Crusius (PSDB), que terminou seu governo imersa em escândalos de corrupção e com uma baixíssima taxa de aprovação dos gaúchos. Por isso, eu tenho dito que Tarso Genro representa o continuísmo e Ana Amélia representa o retrocesso. Nós queremos o novo e a mudança: nem o passado como era, nem o presente como está.

Sobre a questão da mídia, é preciso ter clareza para perceber que as grandes empresas de comunicação não são apenas centros de produção jornalística, são grupos de poder que exercem influência política e econômica sobre os governos. Mais do que possuir apenas um candidato, a mídia beneficia uma gama de candidatos no estado: são os candidatos que defendem a manutenção do sistema como ele está. Por isso que nós, do PSOL, aparecemos uma vez a cada 15 dias no Jornal Nacional e no RBS Notícias, enquanto os candidatos dos partidos tradicionais estão todos os dias na grande mídia.

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Gazeta Gringa: Qual a sua avaliação de gestão de Tarso Genro no Palácio Piratini?
Robaina: O governo de Tarso Genro lamentavelmente manteve e sustentou o sistema da dívida pública. Tarso se recusou a fazer uma auditoria para verificar os contratos e para informar ao povo gaúcho quem está se beneficiando com essa sangria das nossas receitas. Além disso, Tarso prometeu, durante a campanha eleitoral, que pagaria o Piso nacional do magistério. Estamos chegando ao fim de 2014 e nenhum professor recebe o Piso como salário básico do plano de carreira, como determina o Supremo Tribunal Federal (STF). Os políticos tradicionais dizem uma coisa durante as eleições e fazem outra completamente diferente depois que assumem o poder. Por fim, Tarso tem parceira com os grandes grupos econômicos, doa dinheiro publico para eles. Enquanto isso, a Saúde é precária, a Segurança Pública vai mal e os partidos tradicionais continuam se beneficiando da gestão petista, como é o caso do PTB.

Gazeta Gringa: Por que suspender o pagamento da dívida pública? 
Robaina: A suspensão do pagamento da dívida pública é uma medida que acompanha a realização da auditoria. No Equador, o processo de auditoria durou mais de um ano. No Rio Grande do Sul, também será um processo sério e prolongado. Enquanto investigamos os contratos, os pagamentos devem ser suspensos. Se você recebesse, todos os meses, um carnê de uma dívida que você não sabe como contraiu e que, quanto mais você paga, mais aumenta, você seguiria pagando? Qualquer cidadão recorreria ao Procon e à Justiça diante de uma situação dessas. A dívida do Rio Grande do Sul com a União começou em R$ 11 bilhões e, até 2010, o Estado já havia pago mais de R$ 22 bilhões. Atualmente, ainda deve mais de R$ 45 bilhões e não é possível que os governos continuem apoiando esse mecanismo de sangria dos nossos recursos.


Gazeta Gringa: O PSOL critica o modelo de Polícia Militar do Brasil. Qual serão suas ações em relação a Brigada Militar?
Robaina: Defendemos a desmilitarização da Polícia no país. Essa é uma política que deve ser implementada nacionalmente, já que as polícias militares, apesar de serem estaduais, possuem um vínculo legal com o Exército. Contudo, no âmbito do governo estadual, é possível tomar medidas que, aos poucos, desmilitarizem a corporação. A principal delas diz respeito à formação dos policiais. Hoje, os policiais são formados para a guerra e para o combate, não para o diálogo, a promoção da cidadania e a defesa da vida das pessoas. Outra distorção é a Corregedoria, que apura as condutas abusivas cometidas pelos policiais. Hoje, essa instituição está subordinada à Brigada Militar. Isso faz com que os próprios policiais se investiguem - na prática, isso resulta em impunidade e engavetamento de processos. Defendemos a criação de uma Corregedoria externa e independente para investigar os delitos cometidos pela polícia. Por fim, acreditamos que a Brigada Militar deve possuir apenas uma porta de entrada, com um concurso único, onde o servidor possa subir na carreira. Atualmente, existe um concurso para soldado e outro para capitão. Quem ingressa na carreira como soldado pode chegar, no máximo, ao posto de tenente. E quem ingressa como capitão pode se tornar coronel sem nunca ter trabalhado nas ruas.

"É um absurdo que o governo federal se renda à bancada evangélica e rife os direitos da população LGBT e das mulheres"

Gazeta Gringa: Como serão as políticas de sua gestão para os jovens, os grupos LGBT e as mulheres? 
Robaina: O PSOL é o único partido que defende abertamente políticas públicas para enfrentar o extermínio e o encarceramento da juventude pobre e negra do país. A legalização da maconha é mais do que uma medida de respeito às liberdades individuais, é uma medida para acabar com a guerra às drogas, que se transformou numa guerra aos pobres. A legislação brasileira não criminaliza o usuário, apenas o traficante. Contudo, o texto da lei é impreciso e fornece um cheque em branco para que a polícia, o Ministério Público e o Judiciário decidam quem deve ser considerado usuário e quem deve ser considerado traficante. Um jovem negro e pobre detido na periferia com 5 gramas de maconha é considerado traficante e jogado para dentro de um sistema penal que se encarrega de convertê-lo em criminoso, enquanto que um jovem branco e de classe média detido com a mesma quantidade pode ser considerado apenas um usuário e cumpre uma pena socioeducativa. Precisamos acabar com essa hipocrisia e regulamentar a maconha, secando os recursos do tráfico de drogas e direcionado as verbas da segurança pública não para o combate às periferias, mas para a prevenção dos crimes contra a vida, como o homicídio e o latrocínio.

Quanto à população LGBT, o PSOL defende abertamente o casamento civil igualitário entre casais de gays e de lésbicas e o direito à identidade de gênero, que é uma reivindicação justa da população de transexuais e travestis. O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) apresentou dois projetos de lei neste sentido. Quanto ao direito das mulheres, defendemos a descriminalização do aborto. É uma hipocrisia o que ocorre hoje no Brasil. As mulheres ricas podem pagar por um procedimento seguro, enquanto as mulheres pobres correm o risco de morrer em operações realizadas em clínicas de fundo de quintal. Legalizar o aborto significa reconhecer que cabe unicamente à mulher a decisão sobre ter ou não um filho. Não significa legitimar o aborto como um bom método contraceptivo, mas jogar luz sobre uma realidade que já existe e que vitima principalmente as mulheres pobres. É um absurdo que o governo federal se renda à bancada evangélica e rife os direitos da população LGBT e das mulheres.

Gazeta Gringa: Por que o senhor merece o voto dos gaúchos? Deixe suas considerações finais aos leitores do blog.
O candidato não respondeu a pergunta.

Agradecimento: Samir Oliveira - Assessoria de Imprensa do candidato
Fotos: Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Frente de Esquerda/Divulgação 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Gazeta Gringa sabatina os principais candidatos ao governo do Rio Grande do Sul

Irá ao ar a partir de segunda-feira (15) a série de entrevistas do blog Gazeta Gringa com os cinco principais candidatos ao governo do Rio Grande do Sul. 

Os questionamentos das sabatinas foram formulados por Matheus Teodoro e enviados aos políticos por meio de suas assessorias de imprensa. Os textos serão publicados até sexta-feira (19), sempre às 18h30. 

Foram convidados para participarem da série os candidatos que disponibilizam seus planos de governo ou propostas distintas publicamente em seus sites e a forma como cada um deles apresentou suas ideias nos debates realizados até aqui. Um critério essencial para definir os ouvidos pelo blog foi o fato de alguns candidatos não possuírem sites ou páginas em redes sociais, não deixando sua agenda de compromissos e propostas concretas, por exemplo, disponíveis de forma fácil aos eleitores. 

Ou seja, a partir destes pontos, ficou definido que serão entrevistados Ana Amélia Lemos (PP), José Ivo Sartori (PMDB), Roberto Robaina (PSOL), Tarso Genro (PT) e Vieira da Cunha (PDT). Ao todo, foram formulados 10 questionamentos, baseados principalmente na situação atual do Estado e nas ideias apresentadas por cada um até o presente momento. Duas perguntas foram feitas para todos eles: "Por que o senhor(a) se candidatou ao governo do Rio Grande do Sul" e "Por que o senhor(a) merece o voto dos gaúchos? Deixe suas considerações finais aos leitores do blog."

A ordem de publicação das entrevistadas foi definida em um sorteio: 
Segunda-feira (15) - Roberto Robaina (PSOL)
Terça-feira (16) - José Ivo Sartori (PMDB)
Quarta-feira (17) - Tarso Genro (PT)
Quinta-feira (18) - Ana Amélia Lemos (PP)
Sexta-feira (19) - Vieira da Cunha (PDT)

sábado, 18 de janeiro de 2014

Gazeta Gringa completa um ano

A Gazeta Gringa completa neste sábado (18) um ano de existência. A atividade de escrever, que é terapêutica pra mim, fez com que eu colocasse a ideia de manter um blog atualizado em prática em um fim de tarde de calor, neste mesmo dia de 2013 - que voou, por final -.

Até às 15h de hoje o blog tinha 93.083 mil acessos acessos registrados, sendo 59.740 apenas no Brasil. Dos Estados Unidos, foram 18.110 acessos. Outros 5.314 acessos são da Malásia, 1.893 são da Rússia, 1.034 provenientes da Alemanha, 329 da Ucrânia, 216 da China, 178 da França, 159 do Canadá e 120 de Portugal.

Ainda falando de números, 47% dos leitores do blog o acessam por meio do Google Chrome e 78% utilizam o sistema operacional Windows.

Em 365 dias, 745 postagens sobre as mais diversas editoriais. As coberturas especiais também tiveram grande destaque na página. Acompanhamos o incêndio na boate Kiss, a morte de Chorão e de Hugo Chávez, a realização da Copa das Confederações. 

E neste ano não será diferente. A cobertura completa da Festa da Uva 2014, maior evento tradicionalista de Caxias do Sul, também estará no blog, assim como a dos jogos da Copa do Mundo no Brasil. Ambas as páginas reunindo as postagens referentes a esses assuntos já estão na parte superior da página. 

Também é ano de Eleições e tudo estará aqui! Em outubro nós brasileiros iremos eleger deputadores estaduais e federais, governadores e presidente, e aqui você vai poder ler tudo referente ao assunto, desde os comícios, até o momento da votação dos candidatos, a apuração dos votos e a confirmação dos vencedores, passando pelos debates, é claro.

Eu, Matheus Teodoro, gostaria de agradecer aos leitores pela fiel parceria. Espero que ela continue em 2014, lembrando que críticas, informações e sugestões são sempre bem vindas. Envie um e-mail para matheus.teodoro2012@gmail.com ou pelo formulário de contato.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Entra no ar a nova MTV Brasil

Entrou no ar às 21h30 apenas para quem possui TV Paga a nova MTV Brasil. Durante todo o dia, a vidente Mãe Dinah apareceu na tela do canal com os dizeres "MTV. Pronta pra Outra. Estreia às 21h30."

A MTV começou com uma contagem regressiva de apresentadores e artistas da música brasileira. Logo depois, veio uma apresentação do que vem por aí, destacando os reality shows, programas brasileiros e séries de sucessos da MTV americana que serão exibidos por aqui. Após, a programação abriu oficialmente com o Coletivation, telejornal descontraído e com humor, que tem na sua pauta celebridades, cultura, entretenimento e é claro, música. A primeira convidada foi a cantora Anitta, sucesso recente do funk brasileiro. A atração, com o comando de Fiuk e Patrick Maia, irá ao ar de segunda a sexta-feira, às 21h30, com reprises às 1h, 11h e 17h.

Anitta participa do programa de estreia da nova MTV. Foto: Divulgação 

Às 22h30 começou o reality Papito In Love. Após, às 23h30, estreou a animação brasileira Família do Zaralho. Ambos os programas vão ser apresentados nas terças-feiras.

Outro destaque do conteúdo brazuca, é o MTV Sports, que estreia na quinta, também às 22h30. Outro carro-chefe na busca pelo respeito dos telespectadores, a série de sucesso The Vampire Diaries, irá ao ar a partir de amanhã, sempre de segunda a sexta, às 20h30.

Por volta das 3h desta quarta-feira (2), a nova MTV Brasil exibiu o seu primeiro videoclipe: "Lose Yourself to Dance", da dupla francesa Daft Punk. 

O ciclo da MTV sob o comando da Abril terminou às 0h de hoje, após 23 anos. Leia como foi aqui. 

Conheça os programas exibidos pela nova MTV:
Awkward - Todo o conflito, o caos e o humor que definem a vida adolescente pelo olhar humorado de uma jovem de 15 anos. NO AR às segundas-feiras, às 23h.

Beavis and Butt-head - Desenho que critica figuras da internet, realities shows e até mesmo lutas. NO AR às quintas, às 20h. 

Catfish - A série promove um encontro entre casais que se falaram durante meses, mas nunca se conheceram pessoalmente. NO AR às quartas, às 22h30. 

Coletivation - Um liquidificar de assuntos que variam entre celebridades, comportamento, cultura pop, internet e música. NO AR de segunda a sexta, às 21h30. 

Dawson's Creek - A história de um trio de amigos é transformada após a chegada de Jen. NO AR de segunda à sexta, às 10h. 

Família do Zaralho - O dia a dia de uma família suburbana que usa o humor para driblar as dificuldades diárias. NO AR às terças, às 23h30. 

Jovens e Casados - Um verdadeiro diário de jovens casais apaixonados que decidiram passar o resto de suas vidas juntos. NO AR aos domingos, às 19h30. 

Ke$ha Vida Louca e Linda - Documentário que faz um mergulho completo na vida da cantora pop Ke$ha. NO AR aos domingos, às 21h. 

Mais que Amigos? - Amizades são testadas quando amigos se apaixonam e tentam transformar seus companheiros de toda hora em amores para a vida toda. NO AR às quartas, às 23h30. 

MTV Hits - Os melhores clipes e as músicas do momento. NO AR de segunda a sexta, às 18h. 

MTV Sports - Três equipes competem valendo uma viagem para Los Angeles como prêmio. NO AR às quintas, às 22h30. 

MTV Word Stage - Os maiores nomes da música internacional fazem um show "ao vivo" para um grande público ao redor do mungo. NO AR às sextas, às 22h30. 

Papito In Love - Catorze mulheres lutam para ser a namorada do rockeiro Supla. NO AR às terças, às 22h30. 

Pranked - Exibição das melhores pegadinhas filmadas e já colocadas na internet durante meia hora. NO AR às quintas, às 23h30. 

Ridiculouness - Exibição de tudo aquilo que tornou um viral na internet. NO AR às quintas, às 23h. 

Snooki e Jwoww - Um diário de duas amigas inseparáveis. NO AR aos domingos, às 20h30.

South Park - Os quatro desbocados meninos de uma distante cidade do Colorado querem apenas se divertir. Pais e professores não podem impedi-los, mesmo que uma tragédia aconteça. NO AR de segunda a sexta, às 0h, às 13h e às 19h, aos sábados, às 0h30 e 22h30 e aos domingos, às 0h. 

The O.C. - Um Estranho no Paraíso - Ryan é adotado por uma família rica e descobre ali uma vida de luxos e segredos. NO AR de segunda a sexta, às 16h. 

The Vampire Diaries - Elena está se recuperando da morte de seus pais, conhece Stefan nos corredores do colégio e sente uma conexão com ele logo no primeiro olhar. Ela está se apaixonando por um vampiro de mais de 100 anos e está prestes a mergulhar em um mundo sobrenatural. NO AR de segunda a sexta, às 20h30. 

Confira a programação do canal para amanhã:
0h - South Park
0h30 - South Park 
1h - Coletivation (reprise)
2h - Word Stage
3h - Playlist MTV - Hits 
3h30 - Playlist MTV - Rock 
4h - Playlist MTV - Alternativa 
4h30 - Playlist MTV - Rap 
5h - Playlist MTV - Brasileira
5h30 - Playlist MTV - Pop 
6h - MTV Wake Up Hits
7h - Playlist MTV - Rock
7h30 - Playlist MTV - Alternativa 
8h - Playlist MTV - Rap
8h30 - Playlist MTV - Brasileira 
9h - MTV Hits
10h - Dawson's Creek
11h - Coletivation (reprise)
13h  - South Park
13h30 - South Park
14h - South Park
14h30 - South Park
15h - Word Stage
16h - The O.C. - Um Estranho no Paraíso
17h - Coletivation (reprise)
18h - MTV Hits
19h - South Park
19h30 - South Park 
20h - Pranked
20h30 - The Vampire Diaries
21h30 - Coletivation
22h30 - Catfish
23h30 - Mais que Amigos?

Mais informações no novo site da MTV.
Para informações sobre a numeração do canal, consulte sua operadora. 

Chega ao fim as transmissões da MTV Brasil sob a administração da Abril

atualizado às 13h21 

Terminou exatamente às 0h desta terça-feira as transmissões da MTV Brasil sob a administração do Grupo Abril. O canal jovem que revolucionou o jeito de se comunicar estreou há quase 23 anos, e devido a crises financeiras de sua administradora no país, foi devolvida à empresa americana Viacom, dona da marca no mundo.

A MTV Brasil estreou em uma ensolarada tarde de sábado, em 23 de outubro de 1990 com a ex-VJ Astrid Fontenelle dando às boas vindas para os telespectadores: "Oi eu sou a Astrid e estou aqui anunciando para vocês que está no ar a MTV Brasil!".

Consagrada, ficou no canal por mais nove anos, destacando-se no comando do Disk MTV, a parada dos dez clipes mais votados do dia, do Top 20 Brasil, Copa na Mesa, Barraco MTV e Pé na Cozinha. Foi ela, que pouco antes das 0h de hoje, encerrou as transmissões da MTV no molde que conhecemos.

Cuca chama o último clipe da MTV Brasil. Foto: Reprodução/MTV Brasil 

Basicamente, Astrid disse que era uma honra "apagar as luzes" e que foram 23 anos bem vividos por parte da emissora, "debochando de si própria", "colocando o dedo na ferida". Vale lembrar que nesses anos todo a MTV investiu em conscientização. Em todo o dia 1° de dezembro, por exemplo, fazia uma programação especial dando foco ao Dia de Combate a AIDS. Ousada, há tempos atrás, mandou nós telespectadores desligarmos a TV e ir ler um livro. Pediu para que usássemos camisinha e cinto de segurança, e arrancou risos com as vinhetas totalmente sem noção.

- Eu tenho a honra de anunciar o fim da MTV Brasil. Eu fui a primeira a acender a luz e nada mais natural que eu chamasse na chincha essa responsa pra mim mesma. Eu quero se a última a apagar. Sem lamento, com muito orgulho de ter feito parte dessa incrível história de 23 anos da MTV Brasil - disse Astrid, no mesmo fundo chroma key em que ela anunciou a chegada da emissora ao país. 

Antes da despedida de Astrid, ao som da mesma música que abriu as transmissões em 1990, foram exibidas a série de vinhetas diferentes produzidas pela emissora nesses mais de duas décadas de existência, além de imagens dos mais de 120 apresentadores que passaram pela MTV. Depois, a ex-VJ Cuca Lazzarotto chamou o último clipe da MTV Brasil: "Maracatu Atômico", de Chico Science & Nação Zumbi. Em 1990, logo após a abertura do canal, Cuca chamou o primeiro clipe do canal em terras tupiniquins: "Garota de Ipanema", de Tom Jobim, na versão de Marina Lima.

Sobre a escolha do videoclipe, Cuca afirmou: "A gente teve que escolher um clipe pra fechar essa história. E foi super difícil, são infinitas possibilidades... E a gente acabou escolhendo um cara, que teve uma passagem meteórica pela passagem da música brasileira e pela história da MTV Brasil. Mas ele carimbou de um jeito tão definitivo... Essa música tem um poder viceral, e é assim que a gente fecha a nossa MTV Brasil, a minha MTV". 

Querendo ou não, uma MTV terminou às 0h. As pessoas querem que não tratem essa "passagem de bastão" como um fim, mas na realidade é. Querendo ou não, a nova MTV que chegará - apenas na TV Paga! - não será como a que vimos até às 0h. É difícil acreditar que uma emissora que lapidou e investiu em tantos talentos e que cativou, é claro, chegou ao fim. A MTV continua, mas com uma essência totalmente diferente, totalmente americana, tanto é que de um total de 24 horas diárias, conteúdo produzido aqui no Brasil só ocupará 1h30. 

O último suspiro da MTV em sinal aberto foi assim. Com o logotipo do canal pintado com as cores da bandeira brasileira. A Ideal TV, também da Abril, substitui a MTV. Foto: Reprodução/MTV Brasil 

Acho difícil que a nova MTV cative tanto quanto a outra. Acústicos MTV e MTVs Ao Vivo, por exemplo, não serão mais produzidos... Vinhetas engraçadas não serão mais vistas. VJs não serão mais chamados de VJs. Viacom, por favor, tente marcar as próximas gerações tanto quanto a MTV marcou a minha e da muita gente. É o nosso único pedido.

NUMERAÇÃO DA NOVA MTV NAS OPERADORAS NO RIO GRANDE DO SUL:
Sky - 86 
Claro TV - 29
NET - 88 e 525 (em HD) - em Caxias do Sul, 24 em Porto Alegre e outras cidades e 121 em Bagé e Santa Maria

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